sábado, 23 de outubro de 2010

Características do açaí, suas riquezas e potencialidades

 
A palmeira Euterpe oleracea Mart., conhecida como açaizeiro, é uma palmeira tropical nativa da Amazônia Brasileira, e pode ser considerada como a palmeira de maior importância econômica, social e cultural da região Norte do Brasil, onde o Estado do Pará se destaca como maior produtor e consumidor. É encontrada também na Bolívia, Peru, sul da Colômbia e Venezuela. Seu grande potencial sócio-econômico é baseado na exploração do fruto (explorado desde a época pré-colombiana) e do palmito (consumido a partir da década de 60, como substituto do palmiteiro). Recentemente, uma grande área de aplicação da fruta é a bebida de açaí que tem ganhado mercado em outras regiões e no exterior devido a suas propriedades antioxidantes, aos micronutrientes presentes e a suas propriedades energéticas. Comparando a composição química da polpa do açaí com leite bovino cru, o Açaí contêm 4 vezes mais valor energético; o triplo de lipídios; metade da quantidade de  fósforo; 7 vezes mais carboidratos; 118 vezes mais Ferro, 9 vezes mais vitamina B1; 8 vezes mais vitamina C e  igual teor de cálcio e proteína.
 O interesse na exploração desta palmeira vem crescendo de maneira considerável com o aumento do consumo do fruto, o açaí, que pode ser encontrado principalmente sob a forma de polpa em diversos estados brasileiros.
Tal polpa possui um gama de utilidades. Estudos odontológicos revelam que a polpa do açaí pode ser usada como um marcador natural de placas bacterianas.
Outra descoberta quanto à sua utilização é na forma de contraste para exames radiológicos – opção que sai 30 vezes mais barata do que o produto normalmente utilizado para esse tipo de exame.
Entretanto, a utilização da palmeira do açaí é integral. A raiz é utilizada como vermífugo, no tratamento da malária e contra infecções hepáticas. O caule é usado na construção casas, cercas, pastas e polpas de celulose para fabricação de papel, etc. As folhas são usadas como cobertura para as casas, ração animal e na produção de artesanato, e os cachos secos, após a extração dos frutos, são aproveitados como vassouras. Uma alternativa em estudo, para a utilização do caroço gerado na produção da bebida do açaí, é como combustível, considerando que, somente, na cidade de Belém, são comercializados de 100.000 a 120.000 toneladas de frutos de açaí por ano, o que gera cerca de 300 toneladas por dia de lixo orgânico constituído principalmente de caroços.
Componente que pode ter diversas destinações, o caroço do açaí pode ser usado para: fabricação de artesanato, fibras para estofados (de maior qualidade que a do coco); é usado como essência farmacológica, farinha para fabricação de pães e biscoitos, de ração animal e até como gerador de energia elétrica. O caroço de açaí torrado também pode ser utilizado como bebida, pois tem gosto de café.
O fruto do açaizeiro é colhido subindo-se na palmeira com o auxílio de um trançado de folhas amarradas aos pés, a peconha. Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ter ficado de molho em água para que a polpa se solte) e misturada com água se transforme em um suco grosso, também chamado de “vinho” de açaí.
Servido sob forma de mingau por toda a Belém, o açaí se transformou ao se emancipar da floresta amazonense. Ele se tornou bebida, sorvete, biscoito, cápsula, bala e até mesmo bebida alcoólica. As grandes marcas de refrigerantes e as de cosméticos também se interessaram por ele.
Ele só era vendido em Belém e hoje em dia pode ser encontrado na Califórnia, no Japão, na Austrália, amanhã na Europa… na Internet, os sites que propõem o novo elixir se multiplicam. “O açaí é o fruto da globalização”, resume a governadora do Estado do Pará, Ana Júlia Carepa. No entanto, seu sucesso é um caso típico. Há três anos, o açaí era um produto cuja fama não ultrapassava o nordeste do Brasil. Em seguida, ele se tornou a bebida fetiche dos esportistas do Rio de Janeiro, e conquistou, sob forma de sorbet, as praias de Copacabana e Ipanema. Desde então a moda chegou na Califórnia e a Flórida. Puro ou misturado a outras frutas exóticas, o açaí é mais freqüentemente vendido em garrafas - pelo mesmo preço que um vinho Bordeaux de uma grande safra! - ou em saquinhos.
Com grande percentual de vendas, atualmente, o açaizeiro (E. Oleracea) está entre as espécies com maior importância socioeconômica e ambiental para exploração comercial do palmito e frutos. “Não há mais nenhum caso de desnutrição. A região era pobre. A produção do açaí permitiu seu crescimento econômico”, garante o dono da Amazon Frut. É o mesmo que diz o secretário estadual da Agricultura, que sonha em desenvolver o setor. Este emprega quase um habitante em cada dez no Estado, e representa 10% das exportações agrícolas do Pará.
Jornais locais relatam a saga desse fruto e sua importância econômica e social. É o que conta, por exemplo, o Diário do Pará, onde foi divulgada a importância do açaí na recuperação da economia de Igarapé-Miri, cidade paraense. Ambiente em que foi implantado o chamado Projeto Açaí, cujo principal objetivo é garantir mercado para os produtores rurais, criando a consciência do aproveitamento dos recursos naturais dentro do conceito de desenvolvimento sustentável.
O Projeto Açaí está mudando a vida de grande parte da comunidade rural de Igarapé-Miri, um município localizado a cerca de 150 quilômetros de Belém que nos últimos anos vinha enfrentando dificuldades por conta do fracasso da cultura da cana-de-açúcar na região. Atualmente, Igarapé-Miri ganhou o título de capital mundial do açaí. 
“O açaí é a redenção econômica de nosso município”, garante o prefeito Mário da Costa Leão.  Segundo ele, entre 5 mil a 6 mil pessoas trabalham diretamente com o produto no município, que tem em torno de 54 mil habitantes.
Outro projeto importante, recentemente implantado, é o que substitui a madeira utilizada nos fornos das olarias por resíduos de açaí (resíduos e borra). Este projeto foi planejado em parceria do Sebrae/AM e a Prefeitura de Codajás e visa promover a melhor destinação, não só dos resíduos de açaí, mas de madeira também. O volume de resíduos de açaí e de madeira é muito grande. Portanto, muitos resíduos são jogados no rio ou postos em locais inadequados, prejudicando a água e o solo e, conseqüentemente, todo o meio ambiente.
O açaí constitui praticamente a base da economia do município de Codajás. “Limpar aqueles resíduos significa não só contribuir com o meio ambiente, mas também garantir que o processo pelo qual passam o açaí e a madeira de Codajás, seja um processo de qualidade, sem danos à natureza”. (Envolverde/Agência Sebrae)
A importância do açaí para o desenvolvimento sustentável está, também, na recuperação de áreas já degradadas. Como é o caso das  áreas de várzea e igapó, exploradas anualmente com o cultivo do arroz e cana-de-açúcar, evitando-se, desta maneira, seu abandono e transformação em capoeira desprovida de espécies valorizadas, fato bastante comum em nossa agricultura itinerante.
Para garantir a sustentabilidade do açaí e a recuperação das áreas degradadas, pesquisas de manejo e enriquecimento de açaizais nativos foram desenvolvidas, assim como estudos de cruzamentos intra e interespecíficos, em busca de cultivares ou híbridos adaptados ao ambiente de terra firme, mais precoces e produtivos do que seus genitores, afastando, assim, o açaí da ameaça de extinção.
Apesar de tantos benefícios que o açaizeiro denota, o homem não tem dado a merecida importância e deixado a desejar no quesito conservação (exceto em alguns casos, como os projetos aqui relatados).
O açaí, há pouco, foi descoberto como o melhor e mais gostoso palmito do mundo. Fato que tem conduzido tal palmeira por caminhos que a levam a extinção e ao indevido aproveitamento de sua planta.
A derrubada das palmeiras, tal como é feita atualmente, somente para extração do palmito, acarreta um grande desperdício da estirpe do açaizeiro que por não ter, neste estágio, nenhuma utilidade é simplesmente abandonada no local da derrubada, perdendo-se assim grande quantidade de material que poderia ser utilizado na indústria de papel.  Além de, também, deixar de ser usada a raiz, as folhas, o fruto e o caroço do fruto.
Não é exagero dizer que o açaí é o fruto mais importante da Região Norte, ele faz jus à tal designação. É Formidável e é NOSSO! O importante agora é praticar os estudos já concluídos que estabelecem tais possibilidades de uso, para que sua utilização seja completa e o desenvolvimento sustentável seja claramente contemplado.

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